A saúde mental não significa apenas a ausência de doenças, mas sim um estado de equilíbrio que nos permite enfrentar os desafios do dia a dia, administrar o estresse, desenvolver nossas habilidades, aprender, produzir e contribuir de forma positiva para a sociedade. Ela é um aspecto essencial e indispensável para uma vida plena.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos mentais continuam sendo altamente prevalentes, afetando mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Esses transtornos apresentam diferenças entre os sexos, sendo as mulheres, de modo geral, as mais afetadas. Entre homens e mulheres, a ansiedade e a depressão estão entre os transtornos mentais mais comuns.

Alimentação saudável pode ajudar em problemas de saúde mental

A relação entre alimentação e saúde mental tem recebido cada vez mais atenção, principalmente com a descoberta do conceito de “segundo cérebro”, atribuído ao intestino. Esse órgão abriga cerca de 100 trilhões de microrganismos, que formam a microbiota intestinal e desempenham um papel fundamental na produção de neurotransmissores. Segundo a gestora da Gerência de Nutrição (Gesnut) da Secretaria de Saúde (SES-DF), Carolina Gama, a alimentação exerce um impacto direto na química cerebral, influenciando a produção de neurotransmissores e a regulação de processos inflamatórios.

Carolina Gama destaca que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados está frequentemente associado à ingestão elevada de calorias, gorduras, carboidratos e sódio, além da deficiência de micronutrientes essenciais. Segundo ela, muitos transtornos de saúde mental possuem causas químicas e podem estar relacionados à falta desses nutrientes, provocando alterações na produção de neurotransmissores.

De acordo com a especialista, alguns alimentos podem contribuir para a promoção da saúde mental. É o caso dos alimentos ricos em triptofano, como bananas e leite, que auxiliam na produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e bem-estar. Por isso, o consumo desses alimentos pode trazer benefícios para a saúde emocional.

Para a diretora de Serviços de Saúde Mental da SES-DF, Fernanda Falcomer, a harmonia entre corpo, mente e alma é essencial para o bem-estar. Ela afirma que é necessário buscar o equilíbrio, pois, quando uma dessas áreas está em descompasso, as demais também são afetadas. Além disso, ressalta que a alimentação influencia diretamente o cérebro, a cognição e o estado emocional. Dessa forma, uma alimentação saudável contribui para a qualidade de vida, melhora as funções cerebrais, os níveis de energia, a memória e o controle das emoções.

No caso de pessoas que convivem com condições como a depressão, Carolina Gama recomenda a adoção de um estilo de vida saudável, com uma alimentação equilibrada, sono de qualidade e prática regular de atividades físicas. Além disso, reforça a importância de evitar alimentos ultraprocessados, que podem causar dependência e prejudicar a saúde mental.

Por fim, Fernanda Falcomer lembra que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada quatro pessoas sofrerá ou sofrerá de algum transtorno mental ao longo da vida. Para ela, hábitos saudáveis podem contribuir significativamente para o bem-estar e, aliados ao tratamento tradicional, que inclui psicoterapia e medicamentos, a alimentação pode melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) destaca que uma dieta adequada possui muitos benefícios para evitar o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, digestivas e endócrinas. Além disso, especialistas defendem que no campo da saúde mental a situação não é muito diferente.

Por isso, médicos e pesquisadores do mundo todo começaram estudos para investigar mais sobre as relações entre os nutrientes e a mente, mostrando como a má alimentação pode ser prejudicial para além da saúde física.

A alimentação e sua relação com os aspectos emocionais vão além. Frequentemente, pessoas descontam seus sentimentos na comida. Por isso, é comum que crianças consumam excesso de açúcar quando estão tristes ou irritadas, por exemplo.

Outros exemplos clássicos são a relação entre a ansiedade e a alimentação compulsiva e as questões hormonais, que influencia, o estado emocional e podem resultar em uma piora nos hábitos alimentares.

Um dos maiores estudiosos sobre o tema, o agricultor e psiquiatra da Universidade Columbia, Drew Ramsey, defende que uma dieta deficiente é um dos maiores fatores que contribuem para depressão. Além disso, um estudo publicado no Journal of Affective Disorders mostrou a relação do consumo de alimentos ultraprocessados com o desenvolvimento de sintomas de depressão.

DICAS PARA MANTER A SAÙDE EM EQUILÍBRIO

-Aumente o consumo de frutas e legumes;

-Reduza a ingestão de açúcar e estimulantes, como tabaco e bebidas com cafeína;

-Consuma peixes;

-Mantenha seu corpo hidratado;

-Tenha atenção para o consumo suficiente de proteínas diárias, como feijão, carnes e ovos.

O que evitar na hora de comer

  • Assim como alguns alimentos são importantes aliados da saúde, outros podem prejudicar o funcionamento do organismo e favorecer o desenvolvimento de diversas doenças. Por isso, é recomendado evitar o consumo excessivo dos seguintes alimentos e bebidas:
  • Fast-foods, alimentos industrializados e ultraprocessados: possuem baixo valor nutricional e seu consumo frequente está associado ao aumento do risco de depressão e à redução da capacidade cognitiva.
  • Carnes processadas e embutidos: são ricos em gorduras saturadas e trans, que podem provocar alterações na microbiota intestinal.
  • Bebidas alcoólicas: o álcool é um depressor do sistema nervoso central. Seu consumo excessivo prejudica o sono, compromete a cognição e aumenta o risco de desenvolver depressão, ansiedade e outros transtornos mentais.
  • Café e outros alimentos e bebidas ricos em cafeína: a cafeína é uma substância estimulante que atua no cérebro e no sistema nervoso. Quando consumida em excesso, pode aumentar a ansiedade e prejudicar a qualidade do sono.

Alimentação saudável

Especialistas das áreas médica e nutricional apontam que uma alimentação rica em verduras, legumes, grãos, castanhas, frutas, gorduras saudáveis e carnes magras pode contribuir tanto para a prevenção quanto para o tratamento de condições como depressão, ansiedade, insônia, entre outras.

Entre os nutrientes que não podem faltar em uma alimentação equilibrada, destacam-se:

  • Vitamina A: encontrada em legumes, como cenoura, agrião e abóbora, e em frutas, como manga, caqui e mamão.
  • Vitamina B6: presente na carne vermelha, fígado, leite, iogurte, ovos e germe de trigo.
  • Vitamina B9: encontrada em vegetais verde-escuros, leguminosas, como feijão, lentilha e ervilha, além de frutas e nozes.
  • Vitamina B12: presente em peixes, carnes, ovos, leite e derivados.
  • Vitamina C: encontrada em frutas cítricas, como laranja, limão, acerola e abacaxi, além de vegetais e legumes, como couve, brócolis, agrião e pimentão.
  • Vitamina D: presente em peixes gordurosos, como salmão, atum, sardinha e cavala, e na gema do ovo.
  • Cálcio: encontrado em leite e derivados, além de alguns legumes e cereais, como repolho, alface e feijão.
  • Ferro: presente em carnes, gema de ovo, feijão e vegetais verde-escuros.
  • Fibras: encontradas em hortaliças, legumes, frutas e cereais.
  • Ômega-3: presente em peixes de água fria, como salmão, arenque, cavala, sardinha e atum.
  • Ômega-6: encontrado em óleos vegetais, como os de soja, girassol e milho.
  • Potássio: presente em cereais, leguminosas, frutas, vegetais, peixes e laticínios.
  • Zinco: encontrado na carne vermelha, frutos do mar, leite e derivados, além de alimentos como amendoim, amêndoas, pasta de amendoim caseira e leite de amêndoas.

É importante reforçar que não existe um alimento “milagroso” ou um único “vilão”. Os benefícios para a saúde física e mental estão relacionados ao conjunto de hábitos alimentares saudáveis e ao equilíbrio na alimentação.